Q.U.A.C.K. - Q.uadrinhos U.tilidades A.bstrações C.inema K.itsch
 


Made in Japan

Pois é... Após um afastamento por uma pura falta de ânimo em escrever acabo resolvendo retornar ao blog para despejar mais umas linhas de pensamento, não por acreditar que hajam muitos ávidos leitores meus, mas muito mais por achar que se trata de uma razoável e barata terapia.

 

Estando hoje pela manhã diante de uma dentista para uma revisão, por sinal uma das situações em que mais se fica obrigado a exercitar uma saudável divagação mental para não dar muita atenção a violência que ocorre em sua boca, acabei por seguir uma linha raciocínio que já tive algumas vezes antes.

 

É incrível como a diferença comportamental de um povo se exprime em suas obras.

 

Vejamos a sociedade japonesa e a americana. De um lado, um povo que foi o único a sofrer o mais brutal ato de violência da cultura humana, um maciço ataque nuclear. Do outro os perpetradores de tal ataque e líderes “culturais” do mundo.

 

Entendendo-se quando digo líder cultural como o povo que mais exporta e divulga sua própria cultura mundo afora, bastando ver a quantidade de livros, quadrinhos, programas de TV, shows e filmes com suas estréias mundiais para entender os parâmetros que estabeleci para determinar a posição de supremacia norte americana neste caso.

 

Sob a ótica da sociologia o povo nipônico é mais introvertido, fechado... praticamente hermético, enquanto que o americano teve sua história calcada na sua liberdade de expressão e nas lutas para garantir tal direito.

 

Assim poderia se intuir que tais características permeassem TODAS as suas produções culturais, certo?  Errado...

 

Quando se analisa a produção de filmes, desenhos animados e quadrinhos nos deparamos com uma situação totalmente inversa. Enquanto o americano é pueril, com pudor e censura a suas produções, inclusive com suspensão de veiculação de produtos antigos por não estarem de acordo com as regras do politicamente correto da atualidade, o japonês trata de violência com uma naturalidade que muitas vezes choca quem não está acostumado com tais produções.

 

Para cada Quentin Tarantino que o cinema da contra cultura de Hollywood produz, existem milhares de filmes japoneses em que cenas de violência e certas situações inusitadas de enredo  abrem os olhos dos ocidentais, muitas vezes inspirando uma geração de quadrinistas, animadores e cineastas a se tornarem... novos Tarantinos.



 Escrito por Cesar às 17h10
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Cópias, Cópias...

A expressão “Nada se cria tudo se copia” já é chavão básico em qualquer forma de expressão.

 

Ocorre que inúmeras vezes é difícil determinar o que cópia e o que é “homenagem”, ou até mesmo o que é preguiça de inventar coisas novas. Um processo cada vez mais penoso diante da profusão idéias, livros, histórias, filmes, jogos e outras coisas que bombardeiam nossas mentes coletivas diariamente.

 

E se uma idéia é boa para ganhar uma nova roupagem porque não adaptá-la para uma nova leva de consumidores? Obviamente levando-se em conta o respeito às leis e a obra original.

 

Mesmo assim tive uma surpresa que me levou um sorriso ao rosto na semana passada. Com meu inusitado horário de trabalho acabei almoçando às 10 e meia da manhã, e para passar o tempo liguei a TV procurando assistir a um desenho animado.

 

Estava passando um capítulo do novo Sítio do Pica Pau Amarelo, por si só um exemplo de recauchutar antigas idéias... Lembro de quando a versão do sítio era nova para mim... O que me causa lembranças nada isentas, tenho minha visão do que era a Emília perfeita (que mostrou depois o quanto era perfeita quando posou para Playboy), o Visconde ou o Marquês de Rabicó (que conseguiu ficar com o nome ainda mais infeliz com o passar dos anos).

 

Mas esse não é bem o caso, o ponto era a história em si. O Visconde de Sabugosa inventara um ser engraçadinho ao qual dera o nome de Transgênio, este se multiplicava facilmente e poderia provir o ser humano com alimentos, o que poderia solucionar a fome mundial.

 

Os animaizinhos se demonstraram na verdade o flagelo da humanidade, afinal ninguém trabalhava, produzia ou mesmo criava mais nada, caos econômico e mundial a vista... Que leva aos governos e líderes econômicos a se unirem para exterminar a ameaça.

 

Uma idéia legal? Sim.

 

Mostra as crianças certas noções da nossa realidade social? Sim.

 

Uma história nova? Errrr... Na verdade não.

 

A trama é idêntica a uma antiga história em tiras de jornal do Ferdinando (Li´l Abner), do genial Al Capp. Onde apareceu o Shmoo. Eles tiveram até certas semelhanças no corpo (pequenos animais engraçados, sem braços e esbranquiçados) e funções IDÊNTICAS na história. A única diferença digna de nota é que os Transgênios colocavam ovos que continham dentro o alimento desejado, enquanto que os Shmoos se sacrificavam de bom grado para que seus donos pudessem comê-los (uma diferença se levando em conta que as tiras de jornal antigas não eram necessariamente para crianças e já os episódios do Sítio são para os guris pequeninos).

 

O que leva a diferença no final da história, onde no Sítio o Visconde consegue salvar as criaturinhas enviando-as para viverem em outro planeta.

 

O objetivo de Capp era tirar um sarro de certos psicólogos que previam que a sociedade americana entraria em processo de ócio se melhorassem sua qualidade de vida, já o do escritor do Sítio era demonstrar que suprir as necessidades fisiológicas não seria o suficiente para suprir a sociedade humana e garantir a paz social.

 

O engraçado é que os próprios Shmoos já passaram por tentativas de reformulação pelos desenhos animados da Hanna Barbera quando virou num ser único e antropomórfico em uma série própria e depois como coadjuvante de Fred Flintstone. Segue abaixo uma imagem do bichinho tirada da Wikepedia.

 



 Escrito por Cesar às 16h06
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OFF TOPIC

Isso não tem nada com relação ao objetivo deste site.

 

Mas como iniciei esse Blog como uma espécie de reserva para meus textos e no momento não estou escrevendo muito devido a outros fatos...

 

Bem, me separei da mulher com quem vivi os últimos quase dez anos de minha vida.

 

É estranho o quanto os seres humanos podem se fazer mal quando sua “validade” juntos expira. Tanto tempo de convivência se torna um repentino “não te reconheço mais”.

 

Mas a vida é assim, mudanças são inevitáveis e a gente tem que se adaptar a elas, ver o que nos tornamos e o que está faltando que ficou láááááááá atrás e trazer de volta para se construir novamente.

 

Algo triste, mas positivo ao mesmo tempo.

 

Não posso me queixar, tenho amigos muito legais, não muitos amigos é verdade mas prezo a qualidade em prol da quantidade, que estão sempre prontos para apoiar no que é necessário. E tenho muitos projetos para tocar, muitas revistas e livros para ler... e todo um mundo para explorar (citação cláááááááássica a Calvin e Haroldo).

 

E viver um dia de cada vez.

 

Assim que for possível voltaremos a nossa programação normal.



 Escrito por Cesar às 19h30
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Guerra Civil

Em uma bem sucedida (na minha opinião ao menos) iniciativa de fazer propaganda da mini série da Marvel, Guerra Civil, a editora Panini lançou uma edição (vendida em bancas por 50 centavos) do Jornal Clarim Diário (a exemplo do que fez a Marvel Americana).

 

Bem, como um dos “depoimentos” sobre a iniciativa do governo em legislar acerca de se catalogar e registrar super heróis foi minha (Sério! Está lá), não resisti a tirar uma foto  como um cidadão preocupado lendo a edição do jornal fictício do ranzinza Jonah Jameson (ou devia dizer ranzinza Fernando Lopes?).

Sei que não tenho postado com frequência (e até mesmo essa notícia é meio velha), mas...

 

 



 Escrito por Cesar às 20h26
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Promethea

Teria vários assuntos para falar sobre quadrinhos.

 

Mas além de estar meio “blue”, não consigo encontrar muita animação diante de ídolos do esporte nacional “liderando” vaias a competidores de outras nacionalidades (em demonstração total de “no fair play”) e acidentes de aviões diante do pouco caso em se resolver problemas que já existem há anos e com reformas duvidosas em pistas de pouso.

 

Mas no espírito de evitar que este blog se congele, vale ressaltar o número 4 de Pixel Magazine. Além dos ótimos Constantine e Planetary temos a estréia de Promethea de Alan Moore. Longe de ser um de seus mais emblemáticos trabalhos, mas com certeza uma aula em como escrever o velho tema super heroístico de forma inovadora e diferente.



 Escrito por Cesar às 14h25
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Canal Raposa Apresenta:

Mais uma vez empresas de TV por assinatura tomam decisões unilaterais a revelia de seus clientes. Já comentei sobre atitudes assim com relação ao canal Multishow em um post anterior, desta vez é o canal FOX que desrespeita seus telespectadores.

 

O que ocorreu foi a veiculação de toda sua programação com o áudio dublado. Uma decisão do canal em vista de alcançar as camadas B e C do público televisivo que não tem TV por assinatura.

 

Porque acho essa decisão absurda? Bem... Vamos lá:

 

1)      PELAMORDEDEUS. Se as camadas sociais B e C não tem TV por assinatura é devido ao elevado valor que é cobrado por este serviço, que inclusive deveria ser mantido pelos telespectadores que pagam pela manutenção para receber o sinal, mas que não funciona assim, já que a profusão de anúncios e, pior, programas de venda de produtos por telefone, existem em vários canais. Ora se tenho um canal só de venda de produtos porque diabos no domingo de manhã tenho minhas opções de programação limitadas por vários canais que estão recebendo para veicular tais programas? Afinal, não é transmitindo a programação dublada que vão conseguir assinantes para pagar o alto valor das mensalidades.

 

2)      A atitude foi unilateral, sem QUALQUER aviso prévio, atingindo telespectadores que já acompanhavam séries como Bones e 24 horas (que estão no meio da temporada) sem nenhum aviso da alteração.

 

3)      Após a alteração foram criados vários sites e comunidades no Orkut repudiando esta decisão, o e-mail de diretores de programação foram rastreados e receberam trocentas mensagens contra atitude da empresa, somente depois disso foi dito que se tratava de um teste e que a maioria dos telespectadores concordaram que se tratava de uma melhoria no canal. (que maioria é essa?)

 

4)       Mesmo não sendo o caso das Tvs a cabo como a NET, no caso da transmissão digital, a  exemplo da SKY, existe a tecnologia para trocar o áudio e colocar ou retirar legendas, se era um caso “pensado” poderia ter ativado essa opção das legendas para quem não que ouvir o dublador do Fucker (ou Sucker, sei lá) do Casseta e Planeta como a voz do agente Jack Bauer e ainda conseguir entender a história..

 

5)      Compararam a atitude da FOX com a do canal TNT que passa sua programação dublada e são um dos líderes de audiência. Ora o perfil do canal é completamente diferente. O TNT passa filmes mais velhos para quem o assiste de forma menos “compromissada” do que quem acompanhada uma série inédita (como alguém em casa assiste a Sessão da Tarde). E mesmo assim quando passa seriados (como no caso de Galactica) a TNT transmite legendado.

 

6)      Ainda existe a pachorra de se dizer que o problema é que o público não está acostumado a ver os programas dublados e é somente uma questão de se acostumar... Pombas, sei que é uma preferência do telespectador, mas afinal quem está pagando sou eu ou eles???????



 Escrito por Cesar às 15h09
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Batman Panini

Nas últimas edições do Batman pela Panini está sendo mostrada uma nova saga do herói, ele está de volta às ruas de Gotham City após um ano dos eventos de Crise Infinita. Com ele retornam outras figuras de destaque na mitologia do Homem Morcego, como o Comissário Gordon, o policial Harvey Bullock e efetiva parceria da Dupla Dinâmica.

 

As histórias estão assinadas por James Robinson, o autor que fez um incrível trabalho com a versão dos anos noventa do Starman, que infelizmente continua inédito em sua maior parte em “terras brasilis”, e agora conta as alterações sofridas pela cidade de Gotham e seu maior defensor enquanto ocorre uma série de assassinatos de vilões pelas ruas escuras.

 

Uma refrescante retomada ao básico dos elementos das histórias do Cavaleiro das Trevas. E que continua funcional e divertido.

 

O que demonstra o que já disse mais de uma vez... O que causa problemas criativos aos quadrinhos americanos é a necessidade de se manter títulos mensais de seus personagens, enxurrando os pontos de vendas para combater o material de suas rivais, que por sua vez, também inundam com seus lançamentos, gerando mega-sagas, filhotes de mega-sagas anteriores, em um sem fim de lançamentos “bombásticos” que muitas vezes carecem de qualidade ou respeitam a tradição dos personagens envolvidos.

 

Mas é tarde para modificar esse sistema. Fazer mini-séries ou edições de Graphic Novels apenas quando se há uma boa história para contar iria tirar o personagem dos holofotes enquanto os concorrentes lotam os sistemas de vendas com seus próprios títulos, afogando qualquer tentativa de manutenção de qualidade.



 Escrito por Cesar às 15h01
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Bush e os Mortos Vivos

Quando penso que já ouvi de tudo...

 

No meu trabalho, na terça feira após o feriado de segunda (bem, feriado para a Bahia que comemorou a independência do Estado), acabei por ouvir uma excitada conversa entre duas colegas:

 

“Meu irmão está animadíssimo, ele é fã de filmes de terror, e está tentando me convencer a ir também. Mas ir aos Estados Unidos nessa conjuntura... e nem mesmo quero conhecer a Pensilvânia.”

 

Não me contive e acabei perguntando:

 

“O que ele vai ver na Pensilvânia que tenha relação com filmes?”

 

“Você não sabe não? É a terra do Drácula.”

 

Não, isso NÃO é uma piada. Isso foi uma frase dita por uma funcionária pública de nível superior completo. Eu tentei explicar que não se tratava de uma localidade nos Estados Unidos, mas de uma parte da Romênia chamada Transilvânia, mas ela não pareceu acreditar, deve ter pensado que estava brincando.

 

Acredito que o irmão dela ficará bastante decepcionado com a viagem.



 Escrito por Cesar às 15h06
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OSPB

Novamente após uma forçada ausência nos posts, quando imagino que começaria escrevendo sobre alguns lançamentos de quadrinhos recentes, inclusive sendo clássicos do gênero traduzidos por um grande amigo meu, me vejo na posição de falar sobre outros assuntos.

 

Nos últimos dias um grupo de “boyzinhos” de classe média alta no Rio de Janeiro espancaram violentamente e roubaram uma empregada doméstica no bairro da Barra. Ao serem presos justificaram tal atitude sobre a alegação de “pensamos que fosse uma prostituta”.

 

QUE CATZO! Onde está escrito que um ser humano, por mais vil que possa ser, merece um tratamento destes? Onde estão as regras de civilidade que podem amparar a alegação de que uma prostituta mereceria tal surra? Onde está embasada a moral dessa geração que herdará o país?

 

Tanto se fala em moralidade e ambição de angariar a paz para as vítimas da violência dos morros do Rio que faz as pessoas temerem e se encarcerarem em condomínios fechados, mas onde está a civilidade dessas mesmas vítimas quando se utilizam de drogas que financiam essa situação e agem como predadores dentro de uma realidade em que prostitutas devem ser surradas e roubadas ao serem vistas dentro de sua “área de caça”?

 

Entendo a dor de um pai ao temer ver o filho ser encarcerado dentro desse sistema presidional  que apenas irá transformar seu descendente em um criminoso ainda pior, mas fazer uma declaração pública dizendo ser um absurdo prender jovens que estudam e trabalham com outros que “ninguém sabe de onde vêem”. Ele espera conseguir simpatia com tal racionalização?

 

Será que a lógica da humanidade foi invertida? Jovens que tiveram todas as chances de casa, estudo e trabalho não merecem ser presos para não conviverem com outros que podem ter enveredado pelo crime por necessidade de sobrevivência e que foram expostos ao mesmo sistema desumano? Eles devem ter penas alternativas elaboradas, pois o crime que cometeram foi somente errarem ao se enganar sobre a profissão de sua vítima?

 

Sei muito bem que a comoção nacional é apenas uma questão de circunstâncias, o ser humano tem memória curta. Diante de políticos que não “conseguem” ver que utilizar de um lobista (não importando a origem e destino do dinheiro) para efetuarem pagamentos pessoais já é um ato antiético diante de suas atribuições, não se pode esperar que pessoas com dinheiro não acreditem ser um absurdo punir quem apenas se enganou e que tinha como verdadeiro objetivo “apenas espancar uma prostituta”.



 Escrito por Cesar às 14h00
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Elric

Depois do ótimo Senhor dos Anéis (cuja versão especial estendida, pelo visto, permanecerá inédita em DVDs Brasilis) uma enxurrada de épicos místicos inundou as salas do cinema. Entre Eragons, Harry Poters, Nárnias e Pontes para Terabitias parecia que o estilo já estaria desgastado.

 

O próprio The Hobbit, adaptação do livro anterior aos Senhor dos Anéis, já começou a me desanimar devido a história ser inferior e diante da notícia do afastamento de Peter Jackson da direção. Mas eis que uma notícia me deixou animado...

 

Está em andamento a filmagem dos livros de Michael Moorcock sobre Elric de Melniboné, o albino-mago-regente-exilado-amaldiçoado e sua espada mística Stormbringer. Excelente literatura de fantasia que pode gerar um maravilhoso longa metragem.

 

E não só existem vários livros para servirem de base para o filme como existem ainda mais livros de Moorcock com outras “encarnações” do guerreiro místico, como Corum, Hawkmoon e Erikose.

 

Em tempo, a editora americana Moonstone Books irá lançar histórias inéditas de Doc Savage, escritas pelo próprio criador do personagem para serem utilizadas em novelas para o rádio, mas que continuam (em sua maioria) inéditas. Menos moedinhas para serem poupadas no cofrinho...



 Escrito por Cesar às 14h59
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Byrnes e Busieks

Nos últimos posts estava divagando sobre artistas que conseguem escrever sobre qualquer personagem (seja de primeiro escalão ou de times reservas) com desenvoltura, bem como a “injustiça” cometida com quadrinistas em prol de profissionais “importados” de outras áreas e a liberdade editorial como força alavancadora ou de freio para tais artistas.

 

O objetivo era salientar o trabalho destes profissionais que conseguem dar as HQs boas histórias mensalmente, sem a necessidade de grandes acontecimentos ou eventos bombásticos e sem tirar o efeito divertido e descompromissado dos quadrinhos.

 

Usando os quadrinhos de super-heróis americanos como parâmetro (que usei como mote dos posts anteriores e que comercialmente ainda domina o mercado em sua maioria) temos nomes de peso dentro desta categoria como Geoff Johns ou Kurt Busiek.

 

Geoff demonstrou seu talento e falta de medo em encarar personagens de segundo escalão principalmente no período em que comandou o argumento da revista da Sociedade da Justiça para a DC Comics. O primeiro super grupo de heróis dos quadrinhos americanos teve seu ápice durante a era de ouro dos comics. Chegou a ser um dos títulos mais vendidos da época exatamente por trazer vários heróis em um único gibi.

 

Mas sua versão dos anos 90 com alguns personagens originais e sucessores dos já falecidos (não que a morte seja muito definitiva em HQs de super heróis) não seria a “menina dos olhos” de nenhum escritor, principalmente depois da cronologia oficial ter “retirado” heróis como Superman e Batman do grupo e colocá-los em um mais contemporâneo, no caso a Liga da Justiça, transformando a Sociedade em um grupo antigo de personagens secundários e de nenhuma expressão nos leitores mais atuais.

 

Mas Geoff Johns cumpriu sua tarefa de forma magistral, seus roteiros eram leves,  divertidos e respeitando mais de sessenta anos de cronologia de forma perfeita (receita que parece ter sido esquecida pela Marvel) de citar histórias antigas mas sem necessariamente repudiar ou atestar que ocorreram da forma que foi narrado há mais de cinqüenta anos.

 

No caso de Busiek podemos citar o trabalho recente dele em adaptar as histórias de Conan, dos contos originais de Robert E. Howard, um trabalho já feito em quadrinhos por Roy Thomas na Marvel e que Kurt conseguiu ser fiel aos livros não desmerecendo o trabolho do profissional anterior e ao mesmo tempo dar um ar de novidade muito bem vindo na franquia. Curiosamente ambos (Geoff e Busiek) estão a frente das novas histórias do Superman que passava por uma fase sofrível.

 

Por último cito aquele que já foi meu quadrinista preferido John Byrne. Sim, sei que ultimamente ele amarga produções que não acertam no gosto do grande público, sua revisão da origem do Homem-Aranha não foi boa, além de desnecessária a meu ver. Mas quando Byrne é bom, ele é bom. Suas histórias dos Vingadores da Costa Oeste (cujo TPB foi lançado recentemente pela Panini) comprova isso. Um punhado de heróis de segunda categoria (Hank Pym, Vespa, Tigresa, Magnum, Gavião Arqueiro...) em histórias divertidas e extremamente envolventes.

 

Diversão mais que garantida... Isso é que por vezes falta aos quadrinhos...



 Escrito por Cesar às 14h59
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Equilibristas de cano

Sei que deveria terminar o assunto que comecei há dois posts atrás, mas hoje acabei por ver uma cena que ficou gravada na minha mente.

 

No meu caminho para o trabalho eu passo em frente ao Shopping Barra, em Salvador, se trata de um grande shopping em um bairro nobre (na verdade que sofre de altos e baixos). Ocorre que ele fica depois de uma avenida dupla, com mão para ambas as direções cortada por um canal de um antigo rio que na verdade leva esgoto.

 

Até aí nada de muita novidade, em se tratando desse Brasil, mas o que ocorre é que por cima desta avenida existe uma passarela para pedestres... na verdade também nenhuma grande novidade até o momento. Mas sempre que estou por lá TEM ALGUM RETARDADO que não pode passar pela passarela e atravessa a rua desviando dos carros e se equilibrando no cano como uma corda bamba passando por cima do esgoto para depois atravessar a segunda metade da avenida, mais uma vez enfrentando o trânsito.

 

Até entendo que adolescentes façam isso, a capacidade de “idiotizar” de jovens é algo estupendo (bem me lembro de minha cota de besteiras... deixemos isso para lá), mas o que acontece é que não existe um perfil para os “malabaristas do cano”, crianças, adultos e até mesmo membros da terceira idade (sendo politicamente correto) parecem compartilhar da imbecilidade geral.

 

Nem posso admitir que seja caso de fobia de altura porque se equilibrar em um cano por cima de esgoto corrente NÃO é uma opção para quem tem esse medo. Além disso, não importa o horário ou dia da semana SEMPRE tem alguém fazendo essa cretinice. E olha que não se trata de uma passarela tão larga assim para pensar que a economia de tempo valeria alguma coisa.

 

Mas hoje presenciei a "cereja do sorvete"... Uma mãe inominada se equilibrando no cano COM UM BEBÊ NO COLO, não consegui evitar a nítida sensação que se burrice for contagiosa o menino estará perdido quando ficar mais velho, isso se a mãe não conseguir matá-lo antes.

 

Temo o dia em que eu venha a deixar de subestimar a estupidez humana.

 

P.S. Se tiver oportunidade tirarei uma foto de algum imbecil desses para ilustrar meu post.



 Escrito por Cesar às 15h20
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liberdade criativa

No post anterior estava comentando sobre a capacidade de um escritor de HQs em ser eficiente ao escrever qualquer personagem. Um bom escritor não se reprime diante de algum que não seria do “primeiro escalão” (o que na verdade é o cerne dessa divagação, mas que só irei elaborar ainda mais a frente).

 

A qualidade de um contador de histórias está exatamente em dar uma dimensão melhor a tais personagens secundários, por exemplo, o que seria do bidimensional Monstro do Pântano sem a visão de Alan Moore? O mago escritor inglês o redefiniu nos anos oitenta de forma magistral. Com certeza o ser de musgo não estava em nenhuma lista dos dez mais preferidos dos escritores antes da mão de Moore o tocar.

 

Claro que tal capacidade também está atrelada ao, cada vez mais nocivo, comando criativo das editoras. Explico: Digamos que um escritor (seja prata da casa ou oriundo de uma outra mídia como Cinema ou TV, não importa) tenha uma magistral idéia e desenrolar de plots para Morbius, o vampiro vivo da Marvel. O personagem, antigo inimigo do Homem Aranha, até chegou a ter algum destaque na década de setenta com o advento do culto aos filmes B de monstros, mas está relegado ao esquecimento hoje em dia.

 

Digamos ainda que o escritor não somente tenha essa idéia fantástica para o vampiro como também tenha a capacidade de tornar tudo isso viável. A revista faz sucesso e os holofotes acabam por brilhar no escritor e na sua obra. Mas enquanto a revista de Morbius causa esse inesperado “frissom” vem a decisão da diretoria da Marvel que ele tenha suas histórias ligadas (não importa que de forma esdrúxula) ao mega evento da temporada, Guerra Civil, ou que seu passado tem que corroborar alguma coisa que está sendo preparada para um futuro conjunto de histórias dos X-Men.

 

Isso atrapalha o efetivo processo criativo das histórias. Até porque tal imposição já está acompanha da opinião e posição do personagem com relação aos acontecimentos da saga, mesmo que os criadores das histórias não concordem com elas.

 

Claro que isso faz parte da jogada de marketing da empresa para a temporada. E se tal decisão gera um aumento nas vendas ou recall dos personagens da editora não se pode efetivamente dizer que “está errado”, mas o que ocorre é que tais sagas que deveriam ser esporádicas estão, cada vez mais, freqüentes. Existe uma dominação total do andamento de todos os títulos da editora em prol do mega evento que estiver ocorrendo na ocasião.

 

Potanto, se tal decisão impulsiona números de vendas em um mercado cada vez mais em crise minha posição tem um “quê’ de birra de leitor velhófito, resmungando sobre “meu tempo ser melhor”, com relação a um mercado de que nem sou o público alvo preferencial. Mas em verdade sei muito bem que um remédio aplicado em demasia perde seu efeito.

 

A necessidade de uma grande saga para manter vendas acaba por “fechar” o mercado, diminuindo a sensação de diversão descompromissada dos quadrinhos. O leitor tem que estar ciente de uma série de acontecimentos de outros títulos e cronologia para sequer entender um mínimo da história. Resultado, leitor novo fica “boiando” e não passa a ler com freqüência, não sendo gerado uma renovação dos consumidores (o que, por sua vez, é um grande “fantasma” para indústria).

 

Entendam, eu adoro cronologia, é uma arma poderosa para desenvolvimento de um personagem. Mas ela deve ser usada sabiamente e não de forma a impedir o ingresso de novos leitores.

 

E essa necessidade de gerar uma grande saga após a outra pode ter seus efeitos positivos em vendas, mas a médio ou longo prazo pode ser também mais um veneno para a indústria. O que inviabiliza exatamente o bom artista com suas histórias de qualidade em títulos de personagens menos conhecidos, e acaba por incentivar a importação de “grandes nomes” de outras áreas para capitalizar o produto centrando nos personagens medalhões da editora. Ressaltando que esta análise se refere tão somente aos quadrinhos de super heróis americanos, não entra nesta equação os quadrinhos europeus ou de outras nacionalidades.



 Escrito por Cesar às 15h26
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Cineastas do papel

Tenho um amigo que se irrita muito com esse movimento de profissionais de cinema/TV para a produção de HQs, não concordo plenamente com ele, mas tenho que ceder no que tange a facilidade com que esse profissionais conseguem os personagens “filés” das editoras em detrimento a escritores que estão ralando na área há anos.

 

Joss Whedon foi um caso que cumpriu com louvor sua missão. Suas histórias com os X-Men são as melhores que li em muito tempo. Mas nem sempre esses escritores “importados” alcançam um resultado tão positivo. O Straczynski fez um trabalho apenas razoável com o Homem-Aranha, com arcos cheios de altos e baixos; Kevin Smith também não foi um gênio com seu Demolidor e a mini-série da Gata Negra, além de ter havido inúmeros atrasos.

 

A facilidade com que personagens chaves são liberados para esses escritores não deixa de ser uma certa falta de respeito com nomes que estão há muito tempo na labuta. Principalmente quando o nome do privilegiado se mostra mediano no seu produto final e, mesmo assim, continua em alta comparado a medalhões da indústria como Alan Moore ou Frank Miller (esse último fazendo o caminho inverso em direção a tela grande com muita maestria até então).

 

Claro que isso é, na verdade, uma jogada de marketing, mesmo que os resultados não sejam tão bons na qualidade, se funcionar no âmbito da propaganda, não pode se dizer que seja uma decisão ruim. Mas em uma posição de fã não posso deixar de me sentir triste pelos escritores veteranos preteridos por outro profissional somente por ser ele um produto de uma área diversa aos quadrinhos.

 

O material de Whedon foi ótimo, mas ele escolheu seus heróis preferidos no rol dos mutantes (inclusive o binômio Ciclope e Wolverine) enquanto o Ed Brubaker teve que se contentar com os personagens que o colega não quis (e mesmo assim fez um trabalho excepcional). E sendo sincero, um bom escritor pode (e deve) fazer um material de qualidade com qualquer matéria prima.

 

 “Não existem personagens ruins, apenas maus escritores”. Diz a máxima do ramo. E existe uma certa verdade nisso, mas vou me alongar no assunto no próximo post.  



 Escrito por Cesar às 15h22
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Greve de Bancas

Algumas vezes eu me vi em situações, no mínimo, inusitadas.

 

No final da década de oitenta, durante um dos picos de minha febre de colecionador de HQs, houve um acontecimento na cidade dos soteropolitanos (nunca entendi essa nomenclatura para habitantes de Salvador, mas sempre gostei dela) que nunca tinha ouvido falar.

 

Visando um maior percentual no repasse na venda de revistas, os donos de banca de jornais... entraram em greve. Pelo que me lembro eles ficaram com as bancas abertas somente para venderem jornais (e algumas revistas distribuídas antes da greve). Isso em uma época em que comprar pela internet simplesmente não existia e perder uma edição significaria não ter certeza de conseguir, afinal sebos sempre foram poucos em Salvador e as possibilidades de achar uma revista que nenhuma banca vendeu... bem, eram baixas.

 

Como eu sabia que a banca da estação rodoviária era do mesmo dono da distribuidora local da DINAP (na época a grande “dona” incontestável na distribuição de revistas) acabava por ir uma ou duas vezes por semana até lá, depois da aula, para comprar meus gibis.

  

Tudo ia bem, mas daí veio o golpe... Uma greve de ônibus... SHIT.

 

E para piorar, o maldito carro de minha mãe tinha que pifar... Falando em pior época para algo assim acontecer...

 

As minhas opções não eram viáveis. Apenas ir a pé até a estação rodoviária durante a greve, com as ruas meio desertas e sob a revelia da permissão de minha mãe, nada muito positivo para um moleque de doze anos.

 

Nesse contexto aconteceu de eu ir junto com ela até um shopping center próximo de casa, para fazer algo que não me lembraria o que era nem que minha memória fosse MUITO melhor do que é atualmente. E, mesmo sabendo da greve dos banqueiros (ops, digo, donos de banca), meu vício de ir ver as revistas era mais forte que eu.

 

Mas, surpresa das surpresas, lá estavam, separadas do público pelo vidro do mostruário, as novas edições de Homem-Aranha e Epic Marvel.  (Ahá, alguém estava furando a tal greve!) E justamente meu herói favorito e a minha revista preferida na época, Epic Marvel apresentava as aventuras de Dreadstar, de Jim Starlin.

 

Bem eu pedi ao jornaleiro as duas revistas e recebi uma resposta inesperada: “Só posso te vender a Homem Aranha porque tenho mais de um exemplar, a outra está reservada para o Fulano.”.

 

Ora, contestei, afinal se ela não estava a venda porque estava no mostruário? A resposta foi ainda mais inconsistente: era para mostrar que eles tinham a revista.

 

Mas se estava reservada eles NÃO tinham a revista. Mas não adiantou nada a minha retórica.

 

Para manter minha posição de estar certo no caso não comprei a Homem Aranha, mas minha podre mente de 12 anos colocou um plano alternativo em ação. Pedi a minha mãe para ir até a banca e comprar a revista, aproveitando ela poderia dizer que Fulano pediu para ela levar a encomenda que estava reservada para ele. Não foi um momento em que me consagrei como um ápice da ética, mas aposto que nunca mais eles deixaram revistas expostas que não poderiam ser vendidas para ávidos colecionadores de 12 anos.



 Escrito por Cesar às 14h41
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BRASIL, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Arte e cultura


 



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