É inegável que os quadrinhos evoluíram no quesito "realidade" desde a Era de Ouro dos anos quarenta. Muitas vezes de forma exagerada, o que deu origem a uma massa nerd que repudia algumas histórias com o conceito de simples diversão por tão somente "não serem baseadas em uma lógica de realidade".
Mas deixando esse fato de lado, é interessante notar que quanto mais elas se aproximam de uma realidade fática mais se distanciam de uma realidade política mundial.
Explico:
Quando as HQs eram a coqueluche da era dourada, o Super-Homem (ou Superman, como exige a patente atual da marca) viajava até a Alemanha ou Japão e estapeava os inimigos do Eixo. O Capitão América freqüentemente dava lições em nazistas e em figuras de comando como Hitler ou Hiroíto.
Eram irreais as situações, mas se utilizavam fragmentos de uma situação sócio-política para ilustrar as tramas.
Em um desenho animado clássico do Superman ele é mostrado infiltrado no Japão utilizando seus poderes para sabotar a produção de armas nipônica.
Isso mudou.
Durante a guerra da Coréia os quadrinhos ainda eram utilizados como ferramenta de propaganda e se utilizavam da situação corrente. Na guerra do Vietnã já ficou muito mais difícil ver super heróis atuando no conflito; lembro de uma história clássica do Capitão América se vendo incapaz de ser uma figura chave como fora na segunda guerra e simplesmente "tirando o time de campo".
Hoje, com a instituída guerra contra o terror empreendida pelos norte- americanos, se vê personagens enfrentarem os resultados dessa situação ou combatendo terroristas, mas citações e confrontos em países reais (sem utilizar nomes inventados e anagramas) ou contra os líderes de movimentos são raras.
Recentemente uma Graphic Novel do Batman assinada por Frank Miller o coloca contra o Al Qaeda, no mais puro estilo de HQs dos anos quarenta, onde os Invasores incursionavam com freqüência na Alemanha, mas a rejeição teórica é grande. Eu mesmo acredito que deve ser um trabalho mediano de alguém que já nos deu grandes HQs do homem Morcego.
É estranho constatar que quanto mais os quadrinhos amadurecem e se tornam mais "sérios" mais se distanciam dos problemas sócio políticos, que foram responsáveis pela febre dos super heróis em sua gênese. Se essa faceta é boa ou ruim para os quadrinhos, somente o tempo poderá responder.