No post anterior falei sobre as ressurreições nos quadrinhos de super-heróis.
Em verdade a volta dos mortos é apenas uma faceta dessa indústria; o que é efetivamente alvo de retrocessos são as mudanças nos personagens.
O esquema dos comics norte americanos de uma revista mensal (sendo dos personagens mais importantes o normal ser quatro ou mais séries distintas) não permite que se deixe de publicar uma edição por mês, salvo quando as vendas estão baixas o que gera o cancelamento, ou acaba por distorcer o mercado. Afinal, você fica com personagens de muito potencial condenados ao esquecimento devido a um mau uso em uma série mensal.
Ou seja, um título do personagem X tem que sair todo mês, mesmo quando o time criativo não é tão legal, ou que exista problemas de ordem técnica. O que gera muitas histórias e às vezes fases inteiras de qualidade baixa. Alguns artistas evitam esse tipo de situação. Hellboy, a criação máxima de Mignola (com recomendação deste escriba) não segue a necessidade de edições mensais - ele sai em formato de mini-séries quando existe um material bom, com diversão ou “algo a dizer”, a exemplo da forma européia de produzir quadrinhos. Claro que tal forma de produção só pode ser atingida se você for o dono de seu personagem publicando através de uma editora, mas se for o caso de um empregado de uma editora grande... nada feito.
Alguns personagens só deveriam funcionar neste esquema de séries esporádicas, como o Thor, Capitão América e Homem de Ferro da Marvel. A necessidade de manter um título mensal destes heróis acaba “cansando” o leitor e gerando fases horrendas com algumas interessantes intercaladas.
Essas fases horrendas acabam tendo que “manter as vendas’ e recorrem as mais ignóbeis tentativas de conseguir tal intento. São “mortes” de personagens, retcons, sagas de clones e mudanças de uniforme que todos sabem que serão revertidas depois de algum tempo.
Algumas delas são até legais, como a fase do uniforme negro do Homem Aranha foi divertida e o fato de, após o deixar de lado, o simbionte ter dado origem a um inimigo do herói foi muito interessante (infelizmente tal personagem foi esgotado após várias tentativas de colocá-lo como herói de um título próprio, mas como vai aparecer no próximo filme do Aranha o vilão Venom deve retornar as origens também nas HQs).
Mas outras mudanças temporárias não são tão felizes... esse novo uniforme tecnológico que o Peter Parker irá usar, já começa a parecer muito forçado. Os leitores sabem que o original irá retornar, mas uma explicação plausível para deixar de lado um uniforme cheio de facilidades e inovações não pode vir a fazer o mínimo sentido. Ou seja, teremos mais uma alteração “sem pé nem cabeça” para retornar ao “status quo” anterior.
Claro que algumas inovações acabam “pegando”, mas sempre ameaçadas por um escritor medíocre ou um editor que não tenha o bom senso de impedir que “estraguem o brinquedo” que vai ser usado depois por outras pessoas. Dentre as mudanças que deram certo podemos citar o casamento de Sue e Reed Richards, do Superman e do próprio Homem Aranha. Sendo este último o mais ameaçado de mudança, já que o editor norte americano da Marvel já declarou inúmeras vezes seu desconforto com o estado marital de Peter... Espero que não mexa o que não precisa de mudanças.
Escrito por Cesar às 17h11
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