As idéias se reciclam.
Não. Eu não vou reclamar sobre cópias de personagens ou de ter que ver pela enésima vez um mesmo plot. Estou falando sobre a parte positiva da reciclagem e o fenômeno cíclico dos conceitos, idéias originais e mitos.
O mito do herói gera inúmeros filhos, uma releitura da humanidade que cria seus Hércules, Beowulfs ou Arthurs e leva a uma linhagem direta aos Luke Skywalkers, Asterix ou Harry Porter dos dias de hoje.
Não vou desenvolver aqui a tese sobre o mito do herói. Qualquer um que se interesse pode procurar na rede um texto do Joseph Campbell, que é muito superior neste ramo (e se o assunto despertar realmente o interesse do leitor pode-se adquirir um de seus ótimos livros sobre o tema ou o recentemente lançado DVD baseado em uma entrevista dele que é sensacional).
Vou aqui apenas enumerar uma notícia e um exemplo dessa obra cíclica.
Será realizado um filme do Sombra (sob a batuta de produção do Sam Raimi – diretor dos filmes do Homem Aranha). O personagem é fruto dos pulps dos anos 30 e depois de migrar para o rádio, matinês seriadas dos anos quarenta e para os quadrinhos, mesmo não tendo mais tanta popularidade quanto à época em que foi criado, ele é um personagem cíclico, tendo ressurgimentos esporádicos em várias mídias, inclusive uma versão cinematográfica nos anos noventa, que foi muito bem intencionada, mas com alguns probleminhas na execução.
O outro exemplo da idéia cíclica foi em um filme que assisti no último fim de semana. Zaitochi é uma produção japonesa sobre a história de um samurai cego, um personagem recorrente na mitologia heróica nipônica.
O filme em questão é uma obra recente, e muito legal, desde que desconsidere o seu final quando o diretor se entrega ao Deus Máximo da Tosqueira. Claro que toda a trama já tinha terminado e o final horroroso não compromete a história que até então fora muito bem conduzida, mas isso não vem ao caso.
O meu ponto conclusivo é que o personagem é cíclico. A figura do Samurai Cego se repete na narrativa japonesa, sendo o filme Zaitochi apenas uma encarnação mais recente. O estereótipo já atravessou fronteiras, tendo sido encarnado por Rutger Hauer no filme Fúria Cega (inclusive com direito a espada camuflada na bengala), bem como nas histórias em quadrinhos do demolidor, quando Miller criou a figura do mestre ninja cego Stick.
Afinal quem sabe os mistérios da mente dos homens... O SOMBRA SABE! (sorry, não resisti).