Estou me repetindo... Eu sei.
Mas os eventos cíclicos continuam a se perpetuar.
Mais heróis clássicos de HQs (da gênese do gênero quando ainda havia a forte tendência de inspiração pulp) encontram seus renascimentos em palcos nacionais e americanos.
O primeiro a se destacar é o lançamento em bancas da nova revista da Mythos do Fantasma, o primeiro super herói do mundo. Sim, apesar de não ter identidade secreta no sentido tradicional, ele tem uniforme com direito a uma das (se não for a primeira) cueca por fora da calça, usa máscara e combate o crime. E sim, antes do Superman ou Batman aparecerem, o Fantasma já era realidade.
O herói deveria ser um personagem publicado no formato pulp, um aventureiro mascarado aviador, mas seu autor, Lee Falk, que havia criado o Mandrake para as tiras de jornais com grande sucesso, viu que os pulps estavam em baixa nos idos de 1938 e resolveu adaptar sua idéia para os quadrinhos mudando parte de seu backgroud. O herói imortal (na verdade fruto de uma linhagem de combatentes do crime de mais de 400 anos), o Espírito-que-anda, Guardião das Trevas Orientais e inimigo eterno dos Piratas Singh, foi um dos mais importantes personagens de HQs e tiras no passado, inclusive em bancas brasileiras. Mas devido a uma falta de atualização suas tiras começaram a deteriorar em qualidade, se tornando tediosas repetições das mesmas idéias e há algum tempo o personagem sumiu de bancas no Brasil.
A Mythos o traz de volta, primeiro em uma revista mensal formato “Tex” com material de tiras de jornal mais moderno, após uma alteração sofrida na produção de suas aventuras. Também vai lançar uma revista formato americano, neste caso colorida, para dar vazão a histórias de forma mais luxuosa, mas espero que aja espaço neste gibi para, futuramente, o material europeu do personagem ou ao menos para as edições da editora de HQs americana Moonstone, que tem feito um bom trabalho inclusive com desenhistas brazucas.
Junto com as revistas do Recruta Zero e do Hagar, com algumas histórias sequenciadas e tiras de jornal, coloridas, a Mythos deixa claro sua tentativa de retornar com algum material clássico no formato de gibi mensal. Apesar de, ao ler essas edições de humor, tenho sérias dúvidas quanto à longevidade das revistas.
Parece que os personagens estão cansados neste formato e fora do público alvo, já que revistas formatinhos mais baratas de humor não parecem agradar novos leitores nos dias de hoje. Além do que o material selecionado já apareceu em diversas publicações anteriormente; nada que encha meus olhos como o Recruta Zero Ano 1 da Opera Graphica, lançado recentemente. Tenho impressão que o Fantasma, abrangendo leitores de quadrinhos de super herói e dos tradicionais leitores de revistas em formato italiano, além dos fãs de longa data, tenha mais sorte.
O outro exemplo de renascimento de herói clássico é que o aventureiro espacial Flash Gordon terá um novo seriado na TV americana. Esse caso merece uma ponderação. Inicialmente acho que um seriado para o personagem é a melhor opção - a história do herói náufrago no Planeta Mongo, fugindo do Imperador Ming enquanto conhece diversos reinados menores unindo aliados contra o tirano funciona melhor do que dentro de um filme de 120 minutos como seria o planejado, e sendo um seriado de qualidade pode se extrair bastante do personagem, claro que sabendo que a história tem que ser limitada: nada de temporadas sem planejamento para evitar termos um seriado repentinamente finalizado as pressas ou um efeito de perda de qualidade estilo Arquivo X.
Escrito por Cesar às 21h05
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