Fui assistir ao filme do Motoqueiro Fantasma, adaptação de um personagem de quadrinhos da Marvel da década de setenta. Diversão garantida.
Mas, acredito que por uma inércia de achar que adaptação de quadrinhos necessariamente tem que aspirar somente platéias mais velhas algumas pessoas estão malhando o filme, mas não concordo com seus motivos para o degradarem.
Bem, dizem que o filme é engraçadinho demais, que não teria encarado com profundidade o mito “homem vende alma ao demônio”. Ora, estamos falando de um herói motoqueiro de cabeça de crânio em chamas usando uma moto “tunada”. Afinal se querem aprofundar no tema de forma mais séria que vão ler ou assistir a Fausto, com certeza estão na “praia” errada. Sou o primeiro em afirmar que super-herói não é necessariamente um gênero só para criança, mas nunca disse que deve ser somente para adultos. O filme do Superman visou um público mais velho e o resultado o transformou em um filme em intragável para qualquer guri de 10 anos. E como disse em um post anterior, quando um filme do Superman não agrada crianças de 10 a 13 anos algo está MUITO errado.
Claro que um filme sobre Sandman (de Neil Gaiman) ou Watchmen não podem ser engraçadinhos, porque o material em que se basearam não o é, mas quem reclama que o Motoqueiro não foi tratado da forma profunda que deveria é porque nunca leu nada do personagem, principalmente os quadrinhos dos anos setenta.
Assim, as piadinhas, o fato de ser “rasa” a relação homem-demônio, do Blaze não beber apesar de ter uma fixação por jujubas (na verdade jelly beans, os nossos delicados) e o plano mestre do vilão ser meramente aventuresco, ora, como eu disse... faz parte do pacote. Quem quer um filme de um personagem mais denso NÃO é o público alvo deste herói ou do filme.
Outra colocação é que ao andar pelas ruas em sua motoca (expressão no estilo setenta) o motoqueiro “derrete” postes e arrebenta o asfalto, podendo causar mais prejuízos do que propriamente fazer o bem. Mais uma vez quem critica deve ler os quadrinhos em que se baseou o herói, tudo isso está lá. A entidade não domina as nuances da vida “mortal” apenas se guia em punir os culpados vingando o sangue dos inocentes, mais uma faceta que simplesmente reflete a obra original.
Mas quanto aos vilões cabe uma observação. Outro ponto atacado foi o visual EMO dos demônios. Ora, quando um ser etéreo, uma manifestação do mal, toma uma forma humana ele “empresta” um visual reconhecido pelas pessoas na época em que ele se manifesta. Em qualquer história o “mal” toma formas visualmente galgadas no modismo da época (ou será que se ele aparecesse trajando roupas do século XVI aparentaria mais demoníaco?). E mais uma vez uso os quadrinhos originais para basear minha defesa, uma das vilãs do motoqueiro original era a Feiticeira (não, não era a Elisabeth Montgomery), mas uma índio-americana (como requer o politicamente correto) com uma roupa de couro com franjas (modismo da década de setenta).
Inclusive segue abaixo uma imagem para elucidar meu ponto.
E quanto a “interpretação” do Nicolas Cage, bem... quanto a essa não posso dizer que é resultado da adaptação da HQ, mas sabe que até que não me causou problemas? Se encarar o filme como o que ele realmente é, uma adaptação divertida sem maiores pretensões (exatamente como o personagem na sua forma bi-dimensional), fica fácil ver que ele cumpre o que promete.

Escrito por Cesar às 22h56
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Eu tenho por norma de vida nunca abrir mão de meus direitos.
Não importa o quanto seja pequeno. Acredito que quando deixamos que pequenos direitos nos sejam tomados estamos abrindo um caminho para que achemos normal quando direitos maiores sejam vilipendiados. E essa crença somente foi reforçada com minha formação em Direito.
Por isso achei muito irritante quando ao me preparar para ir ao cinema no fim de semana, no único dia e horário com desconto que posso dispor para isso, fui surpreendido com a informação de que os cinemas do shopping não estavam funcionando por uma medida judicial.
Uma ação questionando o pagamento de direitos relativos a sonorização dos filmes está em curso, o que levou ao juiz a determinar que os filmes não pudessem ser veiculados com o som (sim, isso mesmo). Se os cinemas quisessem passar os filmes só poderiam fazer no estilo “mudo”. Claro que eles preferiram fechar as portas.
Ora, não vou me adentrar nas miudezas com relação ao caso judicial, só iria tornar esse texto mais técnico e mais chato do que o usual, mas não posso deixar de me indignar com o fato de que um juiz acredite que a única forma de garantir o cumprimento do direito de alguém seja interferindo no meu direito de ir ao cinema no sábado pela manhã.
A justiça permite um sem número de recursos que fazem adiar o final de uma celeuma legal , eu bem sei disso. Mas se a decisão atinge o seu nível final e o direito de ressarcir a outra parte é reconhecido em última instância, existem mecanismos para assegurar o pagamento desse valor sem interferir no direito dos usuários do serviço... Afinal se for para garantir o direito ao pagamento de alguém não é mais eficiente penhorar o dinheiro da bilheteria (chamada féria do dia em jargão antigo) do que simplesmente determinar que não se toque o som dos filmes? E se o direito ainda não está determinado porque “proteger” o proto direito (proto porque não existe ainda de fato) se é mais fácil e eficiente garantir o pagamento do que foi utilizado depois que for determinado quem realmente tem direito a quê?
Ouvi de um amigo frases como “mas isso é uma besteira” ou “simplesmente aceite ir a outro lugar, mesmo que seja mais longe de sua casa, porque isso é uma determinação de uma autoridade constituída”. Desculpem, mas se a decisão de uma autoridade constituída retira o menor dos meus direitos e eu tenho que aceitar como um fato normal onde estará a linha divisória que determina qual é meu direito “maior” que não será afetado?
Escrito por Cesar às 14h08
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