Por ser três anos mais velho que minha mulher existe um hiato entre as nossas lembranças. Muitas vezes lembro de determinadas coisas que não fizeram parte da infância dela exatamente por causa destes anos a menos, como o desenho animado do Jackson Five (!!!!!).
Mas o que lembro com muita força de meu tempo de moleque (nem sou tão velho assim, apenas modelo 72) é que ir a uma banca de jornais era uma festa. Existiam inúmeras opções de quadrinhos para crianças. Além da Disney e Maurício de Souza, este último ainda com força hoje em dia mas a galera do camundongo sem fôlego na época dos blogs, tinham vários personagens para os pequenos leitores.
Lembro que haviam os personagens da turma HB (Hanna-Barbera, como eram chamados antes de serem direcionados ao Cartoon Network), Pernalonga e companhia, Luluzinha e Bolinha, o Recruta Biruta, Pica-Pau, Pantera Cor-de-rosa, Tom & Jerry.
Tinha os Smurfs (ainda traduzidos no original como Strumpfs) pela Vecchi, Pinga-fogo e outras criações européias.
Os personagens da Harvey Enterteinament como Gasparzinho, Lelo, Brasinha, Gançola (Baby Huey) ou Mindinho, o Gigante.
Snoopy, Kid Farofa, Hagar, Zé do Boné em revistas individuais ou reunidos no Almanaque Patota.
Arquibaldo (o famoso Archie nos EUA) também tinha uma versão traduzida. Os personagens da RGE como Riquinho, Bolota, Brotoeja, Tininha e os espanhóis Mortadelo & Salaminho.
Coisas da Editora Brasil América como Caburé, Bulufas, Mamutino e Sabrino, Os Monstrinhos e a Bruxa Caxuxa, Currupaco e tantos outros...
Zé, o soldado raso em versão livro (o famoso Recruta Zero) com algumns outros personagens como Popeye, Pafúncio, Sobrinhos do Capitão, Brucutu, A Família Buscapé, Pinduca, Dennis o pimentinha ou o Praça Atrapalhado (criação Nacional).
Falando em nacional, tinha Satanésio, Sujismundo, Gabola, Sacarrolha o palhaço, Meio-Quilo o marinheiro, o Pererê de Ziraldo, Turma do Lambe-lambe do Daniel Azulay (ainda com o elefante Bufunfa que foi limado de versões posteriores), os Trapalhões da editora Bloch...
Muita coisa... Era bom ser criança.
Hoje as bancas não tem quadrinhos infantis, mal tem crianças comprando quadrinhos.
Putz, além de velho estou fora de moda.
Escrito por Cesar às 14h32
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Comprei e li, de uma tacada só, o lançamento da Pixel Editora, o Traça.
Se trata de um encadernado do material da Dark Horse produzido pelo competente Steve Rude nos desenhos com o auxílio no roteiro de Gary Martin.
Na verdade, como muitas pessoas disseram, se trata de mais do mesmo, mas daquele mesmo que é muito bom.
O trabalho é uma ode aos quadrinhos com histórias de ação desenfreada sem ter os roteiros piegas ou bobos. Muitas vezes os desenhos de Rude parecem evocar Kirby ou Ditko, mas sem o roteiro simplista da década de sessenta ou dos problemas das HQs dessa época.
Um livro gourmet... delicioso.
Mas a edição da Pixel. Bem essa tem alguns probleminhas.
A revisão da tradução peca... e muito.
Expressões idiomáticas americanas foram traduzidas ao pé da letra com resultados insatisfatórios. Por exemplo, existe um gíria "go, go, go" que tem a intenção de acentuar a pressa de quem a diz. Isso não siginifica que um marginal meia boca, ao encontrar o herói em um beco escuro, vai dizer "está na hora de eu ir, ir, ir". Até se traduzissem, como o bom e velho "dar no pé" seria menos estranho.
Em outra passagem a "Stars and Stripes", apelido da bandeira americana, que tem tradução cunhada como "Estrelas e Listras" foi usada como "Estrelas e Tiras". Em várias páginas temos balões sem o texto completo e outros problemas. Nada que comprometa excessivamente a edição, mas fruto de uma revisão que deveria ter sido mais cuidadosa. Até mesmo porque o preço do encadernado é superior ao das edições usuais de banca.
O fato é ainda agravado por que a Pixel é a nova "casa" da Wildstorm e da Vertigo no Brasil. E analisando o público alvo deste material veremos que serão edições sempre elitistas e mais caras...

Escrito por Cesar às 15h03
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