Equilibristas de cano
Sei que deveria terminar o assunto que comecei há dois posts atrás, mas hoje acabei por ver uma cena que ficou gravada na minha mente.
No meu caminho para o trabalho eu passo em frente ao Shopping Barra, em Salvador, se trata de um grande shopping em um bairro nobre (na verdade que sofre de altos e baixos). Ocorre que ele fica depois de uma avenida dupla, com mão para ambas as direções cortada por um canal de um antigo rio que na verdade leva esgoto.
Até aí nada de muita novidade, em se tratando desse Brasil, mas o que ocorre é que por cima desta avenida existe uma passarela para pedestres... na verdade também nenhuma grande novidade até o momento. Mas sempre que estou por lá TEM ALGUM RETARDADO que não pode passar pela passarela e atravessa a rua desviando dos carros e se equilibrando no cano como uma corda bamba passando por cima do esgoto para depois atravessar a segunda metade da avenida, mais uma vez enfrentando o trânsito.
Até entendo que adolescentes façam isso, a capacidade de “idiotizar” de jovens é algo estupendo (bem me lembro de minha cota de besteiras... deixemos isso para lá), mas o que acontece é que não existe um perfil para os “malabaristas do cano”, crianças, adultos e até mesmo membros da terceira idade (sendo politicamente correto) parecem compartilhar da imbecilidade geral.
Nem posso admitir que seja caso de fobia de altura porque se equilibrar em um cano por cima de esgoto corrente NÃO é uma opção para quem tem esse medo. Além disso, não importa o horário ou dia da semana SEMPRE tem alguém fazendo essa cretinice. E olha que não se trata de uma passarela tão larga assim para pensar que a economia de tempo valeria alguma coisa.
Mas hoje presenciei a "cereja do sorvete"... Uma mãe inominada se equilibrando no cano COM UM BEBÊ NO COLO, não consegui evitar a nítida sensação que se burrice for contagiosa o menino estará perdido quando ficar mais velho, isso se a mãe não conseguir matá-lo antes.
Temo o dia em que eu venha a deixar de subestimar a estupidez humana.
P.S. Se tiver oportunidade tirarei uma foto de algum imbecil desses para ilustrar meu post.
Escrito por Cesar às 15h20
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liberdade criativa
No post anterior estava comentando sobre a capacidade de um escritor de HQs em ser eficiente ao escrever qualquer personagem. Um bom escritor não se reprime diante de algum que não seria do “primeiro escalão” (o que na verdade é o cerne dessa divagação, mas que só irei elaborar ainda mais a frente).
A qualidade de um contador de histórias está exatamente em dar uma dimensão melhor a tais personagens secundários, por exemplo, o que seria do bidimensional Monstro do Pântano sem a visão de Alan Moore? O mago escritor inglês o redefiniu nos anos oitenta de forma magistral. Com certeza o ser de musgo não estava em nenhuma lista dos dez mais preferidos dos escritores antes da mão de Moore o tocar.
Claro que tal capacidade também está atrelada ao, cada vez mais nocivo, comando criativo das editoras. Explico: Digamos que um escritor (seja prata da casa ou oriundo de uma outra mídia como Cinema ou TV, não importa) tenha uma magistral idéia e desenrolar de plots para Morbius, o vampiro vivo da Marvel. O personagem, antigo inimigo do Homem Aranha, até chegou a ter algum destaque na década de setenta com o advento do culto aos filmes B de monstros, mas está relegado ao esquecimento hoje em dia.
Digamos ainda que o escritor não somente tenha essa idéia fantástica para o vampiro como também tenha a capacidade de tornar tudo isso viável. A revista faz sucesso e os holofotes acabam por brilhar no escritor e na sua obra. Mas enquanto a revista de Morbius causa esse inesperado “frissom” vem a decisão da diretoria da Marvel que ele tenha suas histórias ligadas (não importa que de forma esdrúxula) ao mega evento da temporada, Guerra Civil, ou que seu passado tem que corroborar alguma coisa que está sendo preparada para um futuro conjunto de histórias dos X-Men.
Isso atrapalha o efetivo processo criativo das histórias. Até porque tal imposição já está acompanha da opinião e posição do personagem com relação aos acontecimentos da saga, mesmo que os criadores das histórias não concordem com elas.
Claro que isso faz parte da jogada de marketing da empresa para a temporada. E se tal decisão gera um aumento nas vendas ou recall dos personagens da editora não se pode efetivamente dizer que “está errado”, mas o que ocorre é que tais sagas que deveriam ser esporádicas estão, cada vez mais, freqüentes. Existe uma dominação total do andamento de todos os títulos da editora em prol do mega evento que estiver ocorrendo na ocasião.
Potanto, se tal decisão impulsiona números de vendas em um mercado cada vez mais em crise minha posição tem um “quê’ de birra de leitor velhófito, resmungando sobre “meu tempo ser melhor”, com relação a um mercado de que nem sou o público alvo preferencial. Mas em verdade sei muito bem que um remédio aplicado em demasia perde seu efeito.
A necessidade de uma grande saga para manter vendas acaba por “fechar” o mercado, diminuindo a sensação de diversão descompromissada dos quadrinhos. O leitor tem que estar ciente de uma série de acontecimentos de outros títulos e cronologia para sequer entender um mínimo da história. Resultado, leitor novo fica “boiando” e não passa a ler com freqüência, não sendo gerado uma renovação dos consumidores (o que, por sua vez, é um grande “fantasma” para indústria).
Entendam, eu adoro cronologia, é uma arma poderosa para desenvolvimento de um personagem. Mas ela deve ser usada sabiamente e não de forma a impedir o ingresso de novos leitores.
E essa necessidade de gerar uma grande saga após a outra pode ter seus efeitos positivos em vendas, mas a médio ou longo prazo pode ser também mais um veneno para a indústria. O que inviabiliza exatamente o bom artista com suas histórias de qualidade em títulos de personagens menos conhecidos, e acaba por incentivar a importação de “grandes nomes” de outras áreas para capitalizar o produto centrando nos personagens medalhões da editora. Ressaltando que esta análise se refere tão somente aos quadrinhos de super heróis americanos, não entra nesta equação os quadrinhos europeus ou de outras nacionalidades.
Escrito por Cesar às 15h26
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