OSPB
Novamente após uma forçada ausência nos posts, quando imagino que começaria escrevendo sobre alguns lançamentos de quadrinhos recentes, inclusive sendo clássicos do gênero traduzidos por um grande amigo meu, me vejo na posição de falar sobre outros assuntos.
Nos últimos dias um grupo de “boyzinhos” de classe média alta no Rio de Janeiro espancaram violentamente e roubaram uma empregada doméstica no bairro da Barra. Ao serem presos justificaram tal atitude sobre a alegação de “pensamos que fosse uma prostituta”.
QUE CATZO! Onde está escrito que um ser humano, por mais vil que possa ser, merece um tratamento destes? Onde estão as regras de civilidade que podem amparar a alegação de que uma prostituta mereceria tal surra? Onde está embasada a moral dessa geração que herdará o país?
Tanto se fala em moralidade e ambição de angariar a paz para as vítimas da violência dos morros do Rio que faz as pessoas temerem e se encarcerarem em condomínios fechados, mas onde está a civilidade dessas mesmas vítimas quando se utilizam de drogas que financiam essa situação e agem como predadores dentro de uma realidade em que prostitutas devem ser surradas e roubadas ao serem vistas dentro de sua “área de caça”?
Entendo a dor de um pai ao temer ver o filho ser encarcerado dentro desse sistema presidional que apenas irá transformar seu descendente em um criminoso ainda pior, mas fazer uma declaração pública dizendo ser um absurdo prender jovens que estudam e trabalham com outros que “ninguém sabe de onde vêem”. Ele espera conseguir simpatia com tal racionalização?
Será que a lógica da humanidade foi invertida? Jovens que tiveram todas as chances de casa, estudo e trabalho não merecem ser presos para não conviverem com outros que podem ter enveredado pelo crime por necessidade de sobrevivência e que foram expostos ao mesmo sistema desumano? Eles devem ter penas alternativas elaboradas, pois o crime que cometeram foi somente errarem ao se enganar sobre a profissão de sua vítima?
Sei muito bem que a comoção nacional é apenas uma questão de circunstâncias, o ser humano tem memória curta. Diante de políticos que não “conseguem” ver que utilizar de um lobista (não importando a origem e destino do dinheiro) para efetuarem pagamentos pessoais já é um ato antiético diante de suas atribuições, não se pode esperar que pessoas com dinheiro não acreditem ser um absurdo punir quem apenas se enganou e que tinha como verdadeiro objetivo “apenas espancar uma prostituta”.
Escrito por Cesar às 14h00
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