Cópias, Cópias...
A expressão “Nada se cria tudo se copia” já é chavão básico em qualquer forma de expressão.
Ocorre que inúmeras vezes é difícil determinar o que cópia e o que é “homenagem”, ou até mesmo o que é preguiça de inventar coisas novas. Um processo cada vez mais penoso diante da profusão idéias, livros, histórias, filmes, jogos e outras coisas que bombardeiam nossas mentes coletivas diariamente.
E se uma idéia é boa para ganhar uma nova roupagem porque não adaptá-la para uma nova leva de consumidores? Obviamente levando-se em conta o respeito às leis e a obra original.
Mesmo assim tive uma surpresa que me levou um sorriso ao rosto na semana passada. Com meu inusitado horário de trabalho acabei almoçando às 10 e meia da manhã, e para passar o tempo liguei a TV procurando assistir a um desenho animado.
Estava passando um capítulo do novo Sítio do Pica Pau Amarelo, por si só um exemplo de recauchutar antigas idéias... Lembro de quando a versão do sítio era nova para mim... O que me causa lembranças nada isentas, tenho minha visão do que era a Emília perfeita (que mostrou depois o quanto era perfeita quando posou para Playboy), o Visconde ou o Marquês de Rabicó (que conseguiu ficar com o nome ainda mais infeliz com o passar dos anos).
Mas esse não é bem o caso, o ponto era a história em si. O Visconde de Sabugosa inventara um ser engraçadinho ao qual dera o nome de Transgênio, este se multiplicava facilmente e poderia provir o ser humano com alimentos, o que poderia solucionar a fome mundial.
Os animaizinhos se demonstraram na verdade o flagelo da humanidade, afinal ninguém trabalhava, produzia ou mesmo criava mais nada, caos econômico e mundial a vista... Que leva aos governos e líderes econômicos a se unirem para exterminar a ameaça.
Uma idéia legal? Sim.
Mostra as crianças certas noções da nossa realidade social? Sim.
Uma história nova? Errrr... Na verdade não.
A trama é idêntica a uma antiga história em tiras de jornal do Ferdinando (Li´l Abner), do genial Al Capp. Onde apareceu o Shmoo. Eles tiveram até certas semelhanças no corpo (pequenos animais engraçados, sem braços e esbranquiçados) e funções IDÊNTICAS na história. A única diferença digna de nota é que os Transgênios colocavam ovos que continham dentro o alimento desejado, enquanto que os Shmoos se sacrificavam de bom grado para que seus donos pudessem comê-los (uma diferença se levando em conta que as tiras de jornal antigas não eram necessariamente para crianças e já os episódios do Sítio são para os guris pequeninos).
O que leva a diferença no final da história, onde no Sítio o Visconde consegue salvar as criaturinhas enviando-as para viverem em outro planeta.
O objetivo de Capp era tirar um sarro de certos psicólogos que previam que a sociedade americana entraria em processo de ócio se melhorassem sua qualidade de vida, já o do escritor do Sítio era demonstrar que suprir as necessidades fisiológicas não seria o suficiente para suprir a sociedade humana e garantir a paz social.
O engraçado é que os próprios Shmoos já passaram por tentativas de reformulação pelos desenhos animados da Hanna Barbera quando virou num ser único e antropomórfico em uma série própria e depois como coadjuvante de Fred Flintstone. Segue abaixo uma imagem do bichinho tirada da Wikepedia.

Escrito por Cesar às 16h06
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